domingo, 2 de novembro de 2014

Porque é que os bebés africanos não choram?









"Eu nasci e cresci no Quênia e na Cote d'Ivoire. A partir dos quinze anos fui viver no Reino Unido. No entanto, eu sempre soube que eu queria criar os meus filhos (quando os tivesse) em casa, no Quênia. E sim, eu achava que iria tê-los. Eu sou uma mulher moderna Africana, com dois graus universitários, e uma mulher de quarta geração de trabalho, mas quando se trata de crianças, sou tipicamente Africana. A ideia é que não estamos completas sem elas, as crianças são uma bênção que seria uma loucura evitá-las. Na verdade é que esta questão nem sequer surgiu.

Eu comecei a minha gravidez no Reino Unido. O desejo de regressar a casa era tão forte que eu vendi a minha prática, abri um novo negócio e mudei de casa e de país nos primeiros cinco meses após descobrir que estava grávida. Eu fiz o que muitas mães grávidas no Reino Unido fazem, ler vorazmente:Our Babies, Ourselves, Unconditional Parenting, tudo da Sears, a lista continua. (Minha avó comentou mais tarde que os bebés não lêem livros e realmente tudo que eu precisava fazer era "ler" o meu bebé). Tudo o que li, disse que os bebés africanos choram menos do que os bebés europeus. Fiquei intrigada com isso.Quando cheguei em casa pude observar. Olhei para mães e bebés e eles estavam por toda parte, embora muito jovens os africanos, com menos de seis semanas, estavam em casa. A primeira coisa que notei é que apesar de sua omnipresença, é realmente muito difícil "ver" um bebé queniano. Normalmente são incrivelmente bem embrulhados, antes de serem transportados, ou amarrados pela sua mãe (às vezes pelo pai). Mesmo os bebés mais velhos são amarrados a toda a volta e são protegidos do meio ambiente por um grande cobertor. Seria a sorte alguém conseguir ver algo, fosse um olho ou o nariz.O embrulho é uma réplica semelhante ao útero. Os bebés ficam literalmente num casulo face às tensões do mundo exterior em que eles estão a entrar.A minha segunda observação foi uma questão cultural. No Reino Unido, entende-se que os bebés choram. No Quénia, era completamente o oposto. O entendimento é que os bebés não choram. Se o fizerem, algo está terrivelmente errado e deve ser feito para corrigi-lo imediatamente. A minha cunhada inglesa resumiu bem. "As pessoas aqui", disse ela, "realmente não gostam que os bebés chorem, não é?"Tudo fazia muito mais sentido quando eu finalmente cheguei e a minha avó veio da aldeia para me visitar.Quando isso aconteceu, minha filha teve um grande bocado a chorar. Desesperada e cansada, eu esqueci-me de tudo que eu já tinha lido e, por momentos, juntei-me ao choro. No entanto, para minha avó era simples, "Nyonyo (amamenta a tua filha)!" Foi a sua resposta.



Houve momentos em que era uma fralda molhada, ou porque eu a tinha colocado para baixo, ou porque ela precisava de arrotar, mas, principalmente, ela só queria estar no peito, não importa se estava a ser alimentada ou apenas a ser um conforto do momento. Eu usufruía mais da sua companhia e praticava co-sleeping (partilha de cama) com ela, eu estava a fazer uma extensão natural para o que era correto.De repente eu aprendi o segredo, não tão difícil, do silêncio alegre de bebés africanos. Foi uma simbiose simples, vi que exigia uma mudança total de ideias sobre o que deveria acontecer e um abraçar do que realmente estava acontecer naquele momento. O resultado foi que o meu bebé começou a ser alimentado muito muito mais do que eu já tinha lido, pelo menos mais cinco vezes do que alguns dos horários mais rigorosos de alimentação que eu tinha visto.À cerca de quatro meses, quando algumas mães da zona urbana começar a introduzir sólidos, segundo diretrizes que lhes haviam recomendado, a minha filha voltou ao estilo de amamentação de um recém-nascido, ou seja de hora a hora e foi um choque total.Lentamente, nos últimos quatro meses, o tempo entre as mamadas começou a aumentar. (...)A maioria das mães do grupo da minha mãe e do meu bebé tinham começado a introduzir o arroz ao bebé (para esticar os alimentos) e todos os profissionais envolvidos na vida das nossas crianças, pediatras, mesmo doulas, disseram que esta atitude foi correta. As mães também precisavam de descanso e que tínhamos feito algo surpreendente ao chegarmos aos quatro meses de amamentação em exclusivo, e eles garantiram-nos que para os nossos bebés seria ótimo. Houve uma coisa que não me pareceu muito verdadeira, quando eu tentei, sem grande entusiasmo, misturar um pouco de mamão (o alimento tradicional para o desmame no Quénia) com leite materno que retirei e ofereci-o à minha filha, ela rejeitou-o.Então eu liguei para minha avó. Ela riu-se e perguntou se eu andava novamente a ler os livros. Ela explicou-me cuidadosamente que na amamentação nada é linear. "Ela vai dizer-te quando estará pronta para o alimento - e seu corpo também.""O que vou fazer até lá?" Eu estava ansiosa para saber.




"Tu fazes o que fizeste antes, amamentas regularmente." Então, a minha vida abrandou para o que parecia ser um impasse novamente. Enquanto muitos de meus contemporâneos, maravilhados com a forma como seus filhos começaram a dormir mais, depois de terem introduzido o arroz e mesmo de se aventurarem em outros alimentos, eu estava a acordar de hora em hora ou a cada duas horas com minha filha e digo aos meus pacientes que o retorno ao trabalho não fora bem como eu havia planeado.Logo descobri que, sem querer, eu estava a transformar-me num serviço de apoio informal para outras mães da zona urbana. O meu número de telefone estava a faz as rondas e muitas vezes enquanto eu alimentava a minha bebé eu começava a ouvir-me a pronunciar as palavras: "Sim, basta manter a alimentação dele/dela. Sim, mesmo que você tenha acabado de os alimentar. Sim, você pode até não conseguir tirar o seu pijama hoje. Sim, você ainda precisa de comer e beber como um cavalo. Não, agora não pode ser a hora de considerar o retorno ao trabalho, você não se pode dar a esse luxo." E, finalmente, eu assegurei mães, "Vai ficar mais fácil." Eu tive que confiar apenas neste último conselho, pois não estava a ser mais fácil para mim.Uma semana antes da minha filha fazer cinco meses, viajei ao Reino Unido para um casamento e para ela conhecer a família e amigos. Como eu tinha poucos compromissos, facilmente mantive a rotina da sua amamentação. Apesar dos olhares desconcertados de muitos estranho em vários locais públicos (a maioria das salas de amamentação foram designadas em casas de banho que eu simplesmente não conseguia usar) por eu amamentar a minha filha, nós continuamos.Num casamento, as pessoas que estavam na mesma mesa que nós, comentaram: "É um bebé muito fácil embora não se alimente muito bem", uma outra senhora respondeu: "Embora eu tenha lido em algum lugar que os bebés africanos não choram muito." Eu não pude deixar de rir.

Sabedoria suave da minha avó:






http://nadiadoula.blogspot.com.br/2014/02/porque-e-que-os-bebes-africanos-nao.html

O presidente zimbabweano Robert Mugabe assumiu a presidência rotativa da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC) durante a sessão de abertura da 34ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo desta organização regional, na cidade turística de Victoria Falls.



Victoria Falls (Zimbabwe) - O presidente zimbabweano Robert Mugabe assumiu a presidência rotativa da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC) durante a sessão de abertura da 34ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo desta organização regional, que teve lugar no final da manhã de domingo, na cidade turística de Victoria Falls.


O acto foi testemunhado por 14 chefes de Estado e de Governo da SADC ou seus representantes, incluindo o presidente moçambicano, Armando Guebuza.


Assim, o Zimbabwe, que detinha a vice-presidência da SADC desde a 33ª sessão ordinária que teve lugar no ano passado no Malawi, passa a dirigir os destinos desta organização regional.


A sessão de abertura foi marcada por vários momentos tais como o lançamento da Publicação Projecto Hashim Mbita, que visa documentar a história de libertação da África Austral


O brigadeiro general na reserva Hashim Mbita foi secretário executivo do Comité de Libertação da extinta Organização da Unidade Africana (OUA) entre 1974 e 1994, tendo desempenhado um papel muito importante para a independência de muitos países do jugo colonial.


O Comité estava baseado na vizinha Tanzânia, onde contava com o apoio incondicional do antigo Presidente Julius Nyerere.


Mbita, que se fez representar pela sua filha, Shella Hashim Mbita, pelo facto de se encontrar doente e muito debilitado, foi distinguido com o Prémio Monomotapa e um valor pecuniário de 100 mil dólares, uma distinção que surge como reconhecimento do seu papel na libertação do continente.


Outro momento marcante foi a entrega dos prémios aos vencedores regionais do concurso de redacção das escolas secundárias e dos Media da SADC.


O jornalista da Televisão de Moçambique, Brito Simango foi um dos distinguidos para a categoria de televisão.


Na ocasião, o recém-empossado presidente da SADC, Robert Mugabe, lançou oficialmente o Anuário Estatístico da SADC, que constitui uma ferramenta importante para a tomada de decisões nos vários sectores da sociedade.


"Isso permite aos investidores locais e estrangeiros mapearem os seus negócios na região de uma forma eficiente e consciente", disse Mugabe.


A Cimeira, que termina na segunda-feira, decorre sob o lema "Estratégia da SADC Rumo à Transformação Económica: Exploração dos Recursos Regionais Diversificados para o Desenvolvimento e Social Sustentável Através da Beneficiação e do Acréscimo do Valor".


Esta é a última vez que Guebuza participa no evento na qualidade de Chefe de Estado, a semelhança do seu homólogo namibiano, Hifikepunye Pohamba, pelo facto de ambos terem atingido o limite dos seus mandatos constitucionais.


Ambos estadistas, Guebuza e Pohamba, tiveram a oportunidade de conduzir os destinos da SADC em 2012 e 2010 respectivamente.


A Cimeira deverá deliberar sobre uma vasta gama de assuntos, entre os quais se destaca a situação política e socioeconómica da região.


Outro facto digno de registo foi o retorno do Madagáscar. O Madagáscar tinha sido suspenso da SADC e da União Africana na sequência de um golpe de estado ocorrido em Março de 2009 e que culminou com o derrube do então presidente eleito, Marc Ravalomanana.


Participam na cimeira 12 Chefes de Estado e de Governo. Angola e Zâmbia fazem-se representar pelos respectivos vice-presidente, Manuel Vicente e Guy Scott, respectivamente, enquanto o Botswana, decidiu enviar o ministro da indústria e comércio, Dorcas Makgato-Malesu.


Integram a SADC um grupo de 15 países nomeadamente África do Sul, Angola, Botswana, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seychelles, Swazilândia, Tanzania, Zâmbia e Zimbabwe.

Dra Ludimila Cruz sobre a série "Sexo e as Negas"


O Brasil Africano



É muito importante gerar o entendimento sobre a dimensão da influência da cultura africana na formação da cultura brasileira. Muitas pessoas são "levadas" a pensar que esta relação não merece o devido valor.


Quando nos arvoramos a cobrar uma reparação histórica pela relação de perdas e danos sofridas pelos negros sequestrados da áfrica e escravizados no Brasil no período colonial, é muito comum nos depararmos com reações de "espanto". Como se essa relação repleta de sofrimentos, negação de direitos e assassinatos, já estivesse resolvida. Na verdade precisaríamos de mais 500 anos para resolver plenamente a questão. Mais não esperamos por isso passivamente, queremos que esta geração e as próximas, vivam numa sociedade mais justa e menos discriminatória e que esta dívida imensa que o Brasil tem com os povos afrodescendentes brasileiros, seja gradativamente amenizada através de ações afirmativas e políticas de reparação.


Não é relembrando o sofrimento dos negros escravizados que justificamos a reparação, é relembrando que sem a contribuição deles o Brasil não teria chegado onde chegou e não seria a potência que é hoje em relação aos demais países do mundo e mesmo com esta constatação inegável, os negros não receberam nenhum pagamento, nenhuma indenização, nenhum tipo de reconhecimento.



AFRO DESCENDÊNCIA


Dayse Marcello


Afrodescender...
É não se iludir com a liberdade branca
E proclamar-se todo dia a abolição
É carregar o sangue que irrigou a terra
Que produziu o alimento negro
Que fartou somente os brancos!

Afrodescender...
É repudiar o banzo moderno
Maquiado por uma infinidade de sinônimos
É repudiar os troncos contemporâneos
As chibatas camufladas nas fardas,
Nas caras e bocas, na mídia,
Na política, nas críticas,
Nas forças instituídas!

Afrodescender...
E saber que todo o movimento manifesto
E toda forma de protesto
Tem haver com nossos seqüestros !
Com restos ...
Com os navios negreiros
Com escravos guerreiros !

Afrodescender é ...
Abominar as relações escravagistas
Desafiar o presente
Quebrar elos da corrente
Rejeitar a política excludente
Manter vivo os ancestrais
O mito dos orixás
Amar sua cultura
Não ter curvaturas

Afrodescender é ...
Cultuar o Deus que nos foi negado
Receber o legado
Receber as bênçãos desviadas
Resgatar a memória dos heróis anônimos
Os sonhos ...
Proteger o lombo,
Resgatar quilombos!

Negar a afrodescendência...
Chega ser um tipo de demência
É dizer um discurso branco
Por inteiro
Que se fragmenta negro no espelho!
É recusar a glória
É viver alienado a própria história !

Troféu Raça Negra Comemora uma Década

Troféu Raça Negra 2012, comemora uma década e promete a presença de Bernice King e da Miss Mundo angolana. 

A festa de lançamento de uma década do Troféu Raça Negra 2012 teve início em grande estilo. Artistas negros em destaque na mídia, atletas com reconhecimento internacional e o anfitrião, Marcos Simões, vice-presidente da Coca-Cola Brasil, confraternizaram a alegria de perceber que aos 10 anos de vida a premiação vem mudando a história da sociedade brasileira. O almoço realizado na sede da Coca-Cola Brasil consagrou o sucesso.
Para abrir os trabalhos o vice-presidente da Coca-Cola Brasil, Marcos Simões, falou sobre a o orgulho de fazer parte da iniciativa.
 “Eu estou muito orgulhoso, pela capacidade de mudança e simbolismo que a Afrobras trouxe. Para mim pessoalmente e para Coca-Cola Brasil o Troféu Raça Negra representa nossos valores de diversidade e a capacidade de fazer mudanças e proporcionar novas oportunidades. Tenho certeza que este é só o começo, estamos passando por um momento de mudanças drásticas quanto a questão dos negros, como ocorreu com as cotas raciais nas universidades federais. Eu sei o quanto a Afrobras e Troféu Raça Negra foram importante nesta mobilização”.
 Em clima de retrospectiva, momentos ímpares das cerimônias foram relembrados. Coimo a primeira edição a fim de incluir e enaltecer a participação do negro nos 500 anos de Brasil, o resgate e a dívida a ser paga ao cantor Wilson Simonal, a homenagem a Michael Jackson, Milton Nascimento…
Nomes como o do ministro Joaquim Barbosa, do lutador Anderson Silva foram citados orgulhosamente.
Foi revelado que o evento será roteirizado em cima do discurso de Martin Luther King Jr., e contará com a presença da filha do grande defensor dos direitos civis dos EUA, Bernice King, no Troféu chamado “I have a deram”. A Miss Mundo angolana, Leila Lopes é uma das promessas para esta décima edição.
 Como Mestre de cerimônias, desta edição o ator Érico Brás falou revelou uma prévia de como será sua participação no evento.
“Nada em nossa vida acontece por acaso, o que cai em nossa mão é porque somos capazes de conduzir”.
O que está acontecendo aqui agora com esta quantidade de negros reunidos é o avanço e a materialização do que minha mãe me disse, que nós temos um lugar na sociedade. Não quero uma revolução para amanhã, mas sim para hoje. Então vamos celebrar mais um troféu. Me sinto honrado e privilegiado, e já aviso que vou bagunçar!”
Pelo que representa e por ter estado na primeira edição de entrega das estatuetas, Chica Xavier falou sobre a emoção do decênio da festividade.
“Nasci em Salvador, filha de uma mãe pobre que lavava roupa para me criar. Apesar de ter recebido propostas para me dar ela me manteve junto a ela. Com 14 anos eu já estava trabalhando e posteriormente tornei-me a atriz que vocês conhecem hoje, sempre lutando pela igualdade racial”
O presidente da Afrobras, José Vicente falou sobre o “Oscar” da Comunidade Negra.
“São dez anos de consolidação das mudanças no Brasil. Eu ousaria dizer que grande parte das mudanças ocorridas no Brasil quanto ao tema negros têm o nosso traço, no troféu e nas nossas realizações pessoais. Quem acompanhou viu que grandes personalidades passaram pelo Troféu. Dez anos depois colocamos o nosso evento como o mais importante da semana da Consciência Negra e parte do calendário da Cidade de São Paulo”.
Ainda foi revelado que a cerimônia deste ano irá traçar uma trajetória paralela da temática negra dentro e fora do Brasil. Um conjunto de personalidades será escolhido para ser premiado em alusão ao tema.
Com muita descontração a cantora Flávia Santana animou o evento e colocou ícones como Chica Xavier e Marina Miranda para dançar.
A cerimônia acontece dia 19 de novembro em São Paulo, na sala São Paulo.

Cinema Negro



Museu Nacional comemora Consciência Negra com Mostra de “Negro no Cinema Brasileiro”


No Dia da Consciência Negra, o Museu Nacional dos Correios abre uma mostra que promete revelar como a população afrodescendente tem sido retratada pelo cinema nacional ao longo dos últimos 50 anos. É O NEGRO NO CINEMA BRASILEIRO, que acontece de 20 de novembro a 02 de dezembro de 2012, sob a curadoria do cineasta, professor e crítico de cinema Sérgio Moriconi. Ao longo de duas semanas, serão promovidas 24 sessões, em horários alternativos. De terça a sexta-feira, as exibições acontecem às 12h30 e às 19h, visando oferecer uma oportunidade de unir descanso e informação para quem trabalha nas proximidades do Setor Comercial Sul (onde está o Museu Nacional dos Correios) e quer fugir do trânsito pesado. Aos sábados e domingos, sessões às 15h e às 17h. A entrada é franca. A mostra tem o patrocínio exclusivo dos CORREIOS.
No sábado, dia 24, logo após a sessão das 17h, palestra com o professor da Universidade de Brasília Rafael Sanzio dos Anjos, autor de textos como Dinâmica Territorial: Cartografia-Modelagem-Monitoramento, 2007, Quilombos: Geografia Africana - Cartografia Ética - Territórios Tradicionais, 2009 e Territorialidade Quilombola: Fotos & Mapas, 2011".
O NEGRO NO CINEMA BRASILEIRO pretende estimular a presença de jovens, estudantes, universitários e de ensino médio, cinéfilos, pessoas que trabalham e circulam nas proximidades do Museu Nacional dos Correios e público em geral para uma reflexão sobre a história e da importância da presença dos afrodescendentes na constituição cultural, econômica e socioeconômica do país, além de permitir um debate sobre a situação atual.
A MOSTRA

O NEGRO NO CINEMA BRASILEIRO vai exibir títulos que percorrem a história do cinema no Brasil. A começar por Amei um bicheiro, de 1952, policial inspirado nos filmes noir, sobre o jogo do bicho e que contém a cena que o lendário ator Grande Otelo considerava a melhor de toda sua carreira: a morte de seu personagem, Passarinho. O passeio continua com o clássico Orfeu Negro, 1959, de Marcel Camus, que venceu em Cannes e recebeu o Globo de Ouro ao transpor para o carnaval carioca da década de 50 o mito de Orfeu e Eurídice.
Um dos mais importantes filmes do cinema brasileiro, Assalto ao Trem Pagador, de 1962, dirigido por Roberto Farias, tinha como protagonistas os atores Eliezer Gomes, Grande Otelo, Ruth de Souza e Luíza Maranhão. Na tela, a encenação de um fato real: o assalto ao trem da Central do Brasil, em 1960. Um título emblemático, A Rainha Diaba, 1974, de Antonio Carlos Fontoura, afirmou o imenso talento do ator Milton Gonçalves. Na pele de um homossexual que dominava o tráfico de drogas na Lapa, no Rio de Janeiro, Milton arrebatou o Brasil. O filme foi premiado no Festival de Brasília.
Em 1998, o cineasta Renato Barbieri e o pesquisador Victor Leonardi percorreram o caminho trilhado pelos africanos feitos escravos no Brasil e conceberam o premiado Atlântico Negro – na rota dos Orixás, que mostra as afinidades existentes entre comunidades separadas pelo Oceano Atlântico.


Mas foi nos anos 2000 que se assistiu a um boom da presença do negro no cinema brasileiro. Títulos como Uma onda no ar, de Helvécio Ratton, e Madame Satã, de Karim Aïnouz, de 2002, apresentavam diferentes aspectos da realidade social da população afrodescendente no País. Com seu filme sobre a criação de uma Rádio Comunitária numa favela de Belo Horizonte e da repressão policial que seus criadores vieram a sofrer, Ratton mostrou pessoas que tentam romper a rotina de tráfico e violência. Karim Aïnouz em seu longa de estreia, Madame Satã, magnificamente protagonizado por Lázaro Ramos, retrata a vida do malandro homossexual que comandava a vida boêmia na Lapa. O filme recebeu prêmios no Brasil, em Havana, Cartagena e Buenos Aires, dentre outros.
Quase dois irmãos, 2004, de Lúcia Murat, revela o encontro de ex-companheiros de infância que seguiram rumos distintos – um se tornou senador da República e outro chefe do tráfico de drogas numa comunidade carioca. No elenco, Flávio Buraqui e Antonio Pompêo, dentre outros. Do mesmo ano de 2004, Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, traz um elenco estelar: Ruth de Souza, Léa Garcia, Milton Gonçalves, Taís Araújo, Thalma de Freitas, Rocco Pitanga. Em cena, a história de duas irmãs que após muitos anos se encontram numa pequena cidade mineira onde ainda vivem os fantasmas da escravidão e do racismo.
Longe da ficção e apresentando um artista que está entre os mais importantes da música brasileira, o documentário Paulinho da viola – meu tempo é hoje, 2004, revela a vida simples do artista que é o mais sofisticado do samba. Também na linguagem do documentário e concentrado numa personagem negra, Estamira, 2005, de Marcos Prado, arrebata as plateias por onde passa. Estamira Gomes de Sousa foi uma catadora de lixo do aterro Jardim Gramacho, do Rio de Janeiro que sofria de doença mental. Seu discurso filosófico misturava momentos de extrema lucidez e rasgos de loucura. Foi premiado no Rio de Janeiro, em São Paulo , Marseille, Viena, Havana e transformou-se em espetáculo teatral.
Pouco visto no circuito comercial, Besouro, 2005, de João Daniel Tikhomiroff, recupera para os dias atuais a figura lendária de Besouro Mangangá, que viveu no Recôncavo Baiano, no início do século XX, e é considerado o maior capoeirista de todos os tempos. A Bahia também é palco da comédia musical Ó Paí, Ó, de 2007, direção de Monique Gardenberg, que leva para as telas o clima e o frescor do carnaval baiano, num casarão em pleno Pelourinho de Salvador. E fechando o passeio pelo cinema nacional, o filme mais recente da mostra, A falta que me faz, documentário de 2009, assinado por Marília Rocha, vai à Cordilheira do Espinhaço, em Minas Gerais , para mostrar o cotidiano de quatro meninas. O filme nasceu de uma pesquisa sobre as coletoras de flores de Diamantina.
Uma seleção de filmes que prova que – embora ainda marcado por temas ligados a uma realidade sócio-cultural de exclusão – o cinema contemporâneo tem tentado fugir do arquétipo e construir uma imagem afirmativa do negro e de sua cultura.
PALESTRA
No sábado, dia 24 de novembro, haverá palestra do professor Rafael Sanzio dos Anjos, graduado em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (1982), com Especialização na Universidade Estadual Paulista (Rio Claro 1985), Mestrado em Planejamento Urbano pela FAU da Universidade de Brasília (1990), Doutorado em Informações Espaciais no Depto. de Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (1995) e Pós-Doutoramento em Cartografia Étnica no Museu Real da África Central em Tervuren - Bélgica (2007-2008).
Atualmente, Rafael Sanzio dos Anjos atua como Professor Associado III do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília e Diretor do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (CIGA), onde é Coordenador dos Projetos Geografia Afro-Brasileira: Educação e Planejamento do Território (Projeto GEOAFRO) e Instrumentação Geográfica, Educação Espacial e Dinâmica Territorial.
Tem experiência no uso e aplicação das tecnologias geográficas aplicadas ao planejamento, monitoramento e gestão territorial, particularmente do Distrito Federal, RIDE e também dos mapeamentos e laudos dos territórios tradicionais africanos no Brasil. Outras linhas de trabalho e pesquisa estão associadas à produção de materiais cartográficos didáticos e instrucionais para os diferentes níveis de ensino e educação geográfica. Coordena o Grupo de Pesquisa consolidado GEOCARTE/CNPQ e é membro do Comitê Brasileiro do Projeto Rota do Escravo - UNESCO, onde desenvolve a Pesquisa Cartografia da Diáspora África - América - Brasil e participa do African Scientific Institute (ASI).
Suas publicações mais recente são Dinâmica Territorial: Cartografia – Modelagem -Monitoramento, 2007, Cartografia & Educação - Vol I, 2008, Quilombos: Geografia Africana - Cartografia Ética - Territórios Tradicionais, 2009, Territorialidade Quilombola: Fotos & Mapas, 2011, Cartografia & Geografia Referências para Educação, 2012 e o mapa didático-educacional Geopolítica da Diáspora África América Brasil. Séculos XV-XVI-XVII-XVIII-XIX: Cartografia para Educação, 2012.
UM POUCO DE HISTÓRIA
O escravo, o sambista, o malandro, a mulata. Foi assim que durante muito tempo o negro foi representado no cinema brasileiro. Figuras ligadas a arquétipos do candomblé e da umbanda serviam de contornos para a criação de personagens que somente reafirmavam aspectos caricaturais da população afrodescendente. Com o passar dos anos e a influência do chamado Cinema Negro no Brasil, foram surgindo personagens reais individualizados, vividos por um grupo de atores que estão entre os melhores do cinema, do teatro e da televisão no Brasil. A mostra O NEGRO NO CINEMA BRASILEIRO promete contar um pouco desta história, percorrendo mais de 50 anos de cinema.
O cinema estabelece com o interlocutor uma relação centrada no imaginário, no desejo e na construção simbólica de cada um. Pensar no cinema como veículo de reprodução ideológica – ou espaço de construção simbólica – ajuda a compreender porque a imagem do negro no cinema é, muitas vezes, apresentada de maneira superficial, estereotipada, pautada na depreciação. Nos tempos das famosas chanchadas, tudo servia de motor para a piada, inclusive aspectos sociais e étnicos. A população negra não saiu impune destes tempos. Mas o gênero revelou atores de talento insuperável, como Grande Otelo.
O Cinema Novo inaugura novos tempos, com a representação mais politizada da população brasileira. Simultaneamente, surgem os filmes históricos, que revelam atos de rebelião dos negros durante a escravidão. A partir da década de 70, surgiram obras importantes sobre o negro e sua cultura, como Compasso de Espera (1969), de Antunes Filho, Amuleto de Ogum (1974) e A Tenda dos Milagres (1977), de Nelson Pereira dos Santos, e Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues. Filmes que se tornaram sucesso de bilheteria, os títulos projetaram atores negros. E foi assim, com o avanço da produção cinematográfica, que o negro foi tomando o centro da cena. Atores como Milton Gonçalves, Neusa Borges, Zezé Motta passaram a discutir seus próprios personagens, recusando aqueles que consideravam estereotipados.

Negros representam 51% da classe média no Brasil




Fonte: Tribuna do Norte
Dos 36 milhões de brasileiros que ingressaram na classe média durante os últimos dez anos, 75% eram negros, revelou um estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) divulgado ontem na capital paulista. Com isso, a participação dos negros na classe média subiu de 38% em 2002 para 51% neste ano, garantindo equilíbrio racial para esse extrato.
Barros: Números refletem mudança sem precedentes na distribuição de renda brasileira
"O ideal é que, se os negros são 50% da população brasileira, eles sejam 50% da classe média. Se no Nordeste eu tenho 34% da população brasileira, o ideal é que eu tenha 34% na classe média", disse Ricardo Paes de Barros, secretário de Ações Estratégicas da SAE. Segundo ele, "a nossa classe média passou a ser muito mais heterogênea, um retrato do Brasil".
A pesquisa, que resultou no segundo número da série Vozes da Classe Média, mostrou uma mudança no perfil da nova classe média brasileira, que hoje responde por 52% do total da população do país e que tem renda per capita familiar entre R$ 291 e R$ 1.019. As estimativas tiveram como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
"É o grupo que está se movimentando, que gostaria de mudar de classe e planeja, toma medidas para que seus descendentes [também] mudem", disse o ministro-chefe da SAE, Moreira Franco.
O aumento do número de negros na classe média trouxe equilíbrio racial para esse extrato social, porém isso não ocorreu entre as camadas mais abastadas da sociedade. "Nós temos agora igualdade racial na classe média. Mas é claro que não temos igualdade racial nem na classe alta, nem na classe baixa. A classe alta é predominantemente branca e a classe baixa é negra", declarou Ricardo Paes de Barros. A fatia da sociedade composta por indivíduos de classe média passou de 38% em 2002 para 52% este ano, um crescimento de 14 pontos percentuais. Já a classe baixa, cujo rendimento per capita varia de R$ 81 a R$ 291, sofreu redução de 21 pontos percentuais: era 48% em 2002 e caiu para 28% neste ano.
A classe alta, com renda acima de R$ 1.019, apresentou expansão de 7 pontos percentuais, passando de 13% em 2002 para 20% neste ano. "O que aconteceu no Brasil, na última década, foi uma mudança sem precedentes na distribuição de renda brasileira. O tamanho desses três grupos mudou de uma maneira radical", avaliou o ministro.
Outra constatação do estudo é que estão na classe média 55% dos jovens e 53% das mulheres brasileiros. O país também conseguiu reduzir o índice de extrema pobreza, que era 11% em 2003 e, após um período de cinco anos, caiu para menos da metade.
REGIÕES
O levantamento também apontou o Sudeste como destaque, por ser a região que mais colocou novas pessoas na classe média, o equivalente a 36% do total de novos integrantes. Em seguida, veio o Nordeste com 34% dos novos membros dessa classe social.
Os nordestinos responderam pelo maior aumento regional da classe, passando de 22% em 2002, para 42%. No Sudeste, a diferença ficou em 11 pontos percentuais - em 2002, a participação da classe média na região era 46% e subiu para 57% neste ano. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram crescimento de 17 pontos percentuais, um avanço de 31% para 48% no Centro-Oeste e de 40% para 57% no Norte. O menor crescimento ocorreu no Sul, que passou de 49% para 58%.
De acordo com Ricardo, as mudanças nos extratos sociais brasileiros são reflexos da diminuição da desigualdade de renda. "É um fato surpreendente que essa classe média surja da redução da desigualdade. E essa redução cria um grupo do meio [classe média], dos batalhadores, que é o mais heterogêneo. Ele [o grupo] é mais a cara do Brasil do que a elite brasileira é, ou a classe baixa é", disse.

Contra o racismo e em defesa da ancestralidade africana no Brasil


Por Silvany Euclênio

No dia 21 de janeiro de 2000, morria a Iyálorisa Gildásia dos Santos e Santos, vítima fatal da violência que incide sobre a ancestralidade africana no Brasil. Sua foto foi utilizada pelo jornal “Folha Universal”, edição nº 39, para ilustrar matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”, cujo conteúdo agredia violentamente as tradições de matriz africana, malevolamente mistificadas com práticas charlatãs. Com o choque, ela, que era hipertensa, sofreu um ataque cardíaco e faleceu.
Em uma justa homenagem a mais esta vítima do racismo, o ex-presidente Lula instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com a aprovação da Lei nº 11.635/2007. Este ano, como vem acontecendo desde então, haverá por todo o país manifestações de repúdio às ações de desrespeito às práticas tradicionais africanas.
"Essas tradições passaram a ser vilipendiadas desde que aqui aportaram os primeiros africanos, como mão de obra compulsória para o hediondo sistema escravista"
No entanto, a palavra intolerância, embora amplamente utilizada a partir da Conferência de Durban (I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, ocorrida em 2001, em Durban, África do Sul) não dá conta da real dimensão da violência que incide cotidianamente sobre as tradições das matrizes africanas preservadas no Brasil e da qual o caso de Gildásia dos Santos e Santos se tornou referência.
Essas tradições passaram a ser vilipendiadas desde que aqui aportaram os primeiros africanos, como mão de obra compulsória para o hediondo sistema escravista. Portanto, tolerância não é exatamente o que resolverá este estado de denegação e reificação que recai sobre a população negra no Brasil e que se constitui como a faceta mais atroz do racismo, cuja sustentação está exatamente na valoração negativa da história, da cultura, do modo de ser e viver do grupo oprimido, negando a sua própria humanidade, posto que produzir cultura é um predicado essencialmente “humano”.
Resistência
Mas o povo negro resistiu e, a despeito de toda a ferocidade, criou os territórios tradicionais de matriz africana, espaços de afirmação da identidade e subjetividade histórica e cultural, na luta para sobreviver num ambiente de iniquidades e opressão racial.
Nesses locais foram preservados valores civilizatórios, idiomas, indumentárias, práticas alimentares e de relação com o sagrado, com o meio ambiente e com a sociedade do entorno, garantindo a preservação de um modo de viver marcado pelo acolhimento e pela solidariedade.
Racismo e Dominação
Sem a sua existência a população negra brasileira poderia ter sucumbido aos efeitos do racismo e de suas estratégias de dominação ao longo dos séculos, como o projeto de branqueamento encetado no país a partir da segunda metade do século 19. Assim como as muitas iniciativas de “modernização” e higienização étnica implementadas nos centros urbanos no início do século 20.
"É nesse patamar que são gerados os ataques violentos a símbolos, pessoas e casas, identificadas por extremistas como demoníacas, em referência a um ser maléfico inexistente nas tradições africanas"
Ou ainda, o mito da democracia racial e o processo de invisibilização da população negra; o avanço da especulação imobiliária sobre os territórios tradicionais; o vilipêndio cotidiano em diversos veículos de comunicação; dentre outras tentativas de aniquilação.
Esta insistência em continuar existindo, com relação à identidade e à subjetividade, resulta no aprofundamento da injúria, chegando ao ponto em que um toque de tambor, o uso de um Ileké (colar de conta) ou de um gele alarambara (torço colorido), a simples pronúncia de uma frase em yoruba, quimbundo, quicongo ou fon (idiomas africanos preservados no Brasil), remetem imediatamente ao imaginário racista brasileiro.
Ataques
É nesse patamar que são gerados os ataques violentos a símbolos, pessoas e casas, identificadas por extremistas como demoníacas, em referência a um ser maléfico inexistente nas tradições africanas. Como exemplos mais emblemáticos, lembramos o que ocorreu em Alagoas (fevereiro de 1912) e ficou conhecido como “Quebra de Xangô”. Na época, lideranças foram espancadas e mortas, casas foram depredadas e incendiadas, em uma ação liderada por políticos e veteranos de guerra e, incitada pela imprensa.
Um século depois, em julho de 2012, o assassinato de uma criança em Pernambuco foi perversamente relacionada às tradições de matriz africana, hipótese veiculada com insistência pela mídia impressa, falada, televisiva e virtual, provocando ataques a lideranças e territórios tradicionais, bem como a depredação de diversas casas.
A mesma estereotipia é remetida às características fenotípicas da população africana e sua descendência diaspórica, de maneira que, mesmo as pessoas negras que adotam outras práticas e modos de viver, despindo-se dos símbolos mais aparentes desta africanidade, continuam relegadas a uma subcidadania, a um lugar reservado para os considerados “não humanos” na hierarquia estabelecida pelo racismo brasileiro.
Dia Nacional
Portanto, no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, pensemos mais amplamente: Contra o racismo e em defesa da ancestralidade africana no Brasil, já que o enfrentamento ao racismo passa necessariamente pelo combate à violência contra a ancestralidade africana, e vice-versa.
É necessário promover o reconhecimento das tradições de matriz africana como uma das formadoras da riqueza cultural material e imaterial do Brasil, garantindo o direito constitucional das pessoas vivenciarem livremente a sua cultura. Afinal, como disse Mestre Tolomi, “a ancestralidade é a nossa via de identidade histórica. Sem ela não sabemos quem somos, e nem o que pretendemos ser”.
♦ Silvany Euclênio é secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)
Fonte: Rede Afrobrasileira Sociocultural

Conheça a mulher negra mais rica do mundo





Um dos principais estereótipos historicamente associados a mulher negra é a pobreza. Porém há mulheres negras, na África e diáspora, que fazem questão de desdenhar dessa imagem racista e construem patrimônios invejáveis. A principal delas chama atenção pela riqueza revelada recentemente ao resto do mundo. Folorunsho Alakija é nigeriana, tem 61 anos e um patrimônio de US$ 3,3 bilhões, sendo considerada hoje a mulher negra mais rica do mundo. Ela é 500 milhões dólares mais rica do que a apresentadora afro-americana Oprah Winfrey, que tinha essa posição até o último levantamento da conceituada revista FORBES. A riqueza de Oprah, a segunda colocada, foi estimada pela revista com a cifra de US$ 2,7 bilhões em setembro desse ano. Folorunsho Alakija é uma das duas mulheres que fazem parte da lista dos 40 africanos mais ricos.
Alakija nasceu em uma casa rica e polígama. Seu pai teve oito esposas e 52 crianças em sua vida. De acordo com Alakija, ela às vezes sentia que seu pai era mais rigorosa com ela do que para seus 51 irmãos. Independentemente disso, lembra ela, o investimento dos pais na educação e formação cultural, a ajudaram até hoje. A empresária começou sua carreira como executiva de banco, depois virou designer de moda e terminou construindo a carreira de magnata do petróleo.
A bilionária nigeriana é casada, tem quatro filhos, e é a fundadora e proprietária da Famfa Oil, uma empresa de petróleo que possui uma participação de 60% do OML 127, um campo de petróleo offshore que produz 200 mil barris de petróleo por dia. Uma lista incompleta de seu patrimônio inclui um apartamento em Hyde Park, em Londres, no valor de 64 milhões de dólares e um jato privado de 46 milhões dólares - um Bombardier Global Express 6000, que ela comprou no início deste ano.
Quando perguntada sobre como ela consegue combinar o casamento e sua riqueza, Alakija disse ao site African Economist: "O dinheiro não tem nada a ver com amor. O amor vem de dentro. O dinheiro é algo que você adquire ao longo do tempo".
Em maio de 1993 Alakija aplicou-se para uma licença de Prospecção de Petróleo (OPL). A licença para explorar petróleo em um bloco de 617 mil hectares - (agora conhecida como OPL 216) foi concedido à empresa Alakija, a Famfa Limited. O bloco está localizado a cerca de 220 milhas a sudeste de Lagos e 70 km da costa da Nigéria. Alakija foi inteligente! Ela não tinha nenhum conhecimento ou experiência na execução de um campo de petróleo, mas ela decidiu não vender sua licença. Em setembro de 1996, ela entrou em um acordo de joint venture com a Star Deep Water Petroleum Limited (uma subsidiária da Texaco) e nomeou a empresa como conselheira técnica para a exploração da licença, transferindo 40% de sua participação para a Star Deep. Até hoje, Folorunsho Alakija e sua família possuem 60% da reserva.




Tereza de Benguela é um ícone de liderança feminina negra, que liderou bravamente homens e mulheres, negro(a)s e indígenas no Quilombo do Quariterê (Cuiabá - MG) a resistirem à escravidão por duas décadas sobrevivendo até 1770. Em busca de liberdade e pelo fim do açoite, ela manteve um sistema de defesa com armas e era uma líder implacável nas batalhas. Tereza herdou o quilombo de seu marido Piolho. Após a sua morte ela assumiu a estrutura política, econômica e administrativa. Eles desenvolviam agricultura de algodão e possuía teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora do Quilombo. Também usavam a forja para reaproveitamento dos ferros usados na tortura em objetos de trabalho.

Com as fugas de escravos cada vez mais frequentes, e confrontados com a falta de mão-de-obra, os proprietários das minas e o governador criaram uma missão para capturar os escravos. As comunidades foram destruídas, muitos negros foram mortos, feridos, torturados e aprisionados.

Teresa de Benguela foi presa numa dessas emboscadas e morreu por inanição alguns dias depois da captura. Recusara-se a comer devido às humilhações e desrespeito a que fora submetida.




Tereza de Benguela é a representação genuína de heroína negra que lutou e morreu pela liberdade de um povo escravizado e oprimido. Não se sabe ao certo se ela era brasileira ou africana. Mais sabemos com certeza que ela era especial e estabeleceu um marco histórico na história do Brasil. Trata-se de uma Candace (rainha guerreira) como Dandara e Maria Crioula, também Candaces Quilombolas. Mulheres que junto aos seus quilombos promoveram abolição da escravatura.




Merecidamente, a partir do dia 02/06/2014, com aprovação da Lei Federal 12.697, o dia 25 de julho foi instituído o Dia Nacional de Tereza de Benguela e das Mulheres Negras. Temos muito para refletir e resgatar sobre a realidade das nossas mulheres negras no Brasil e sobre o legado deixado pelas nossas Candaces Quilombolas. O primeiro passo já foi dado e agora todos os outros teremos que dar para que “andemos”. Que nesta data tão especial, sejam realizadas diversas ações que resgatem a história, memória e honra de nossas heroínas antepassadas e de nossas heroínas contemporâneas. Que sejam pensadas e exigidas Políticas Públicas que inclua com dignidade a mulher negra no mercado de trabalho, na educação e na saúde. Que seja um dia de visibilidade para as diferente demandas da mulher negra no Brasil e acima de tudo...que não seja só neste dia.

Fernando Diniz um gênio da arte plástica, dopado pelo preconceito!


“O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.”

Nise da Silveira
Fernando Diniz nasceu na Bahia, em 1918. Veio morar com a mãe em casarões de cômodos para baixa renda, no Rio de Janeiro, aos quatro anos de idade. Negro e pobre, nunca conheceu o pai. Sempre acompanhava a mãe, costureira, em casas de família de classe média. Desenvolveu paixão romântica pela filha de uma das clientes que morava em Copacabana e se chamava Violeta. Desde garoto sonhava ser engenheiro. Estudou em Escola pública e teve boas notas, mais era sempre discriminado pelas crianças brancas. Quando mais velho, pintou um quadro onde crianças brancas e negras brincam juntas e sobre o quadro ele falou: “ Isso é bonito, mais só é real na imaginação”. 
Ouviu na Escola por diversas vezes que o preto não podia ocupar os primeiros lugares menos ainda ser engenheiro. Chegou ao primeiro ano científico, mas abandonou os estudos na adolescência. E passa andar descuidado de sua aparência e higiene pessoal.
Em 1944, foi preso e levado para o Manicômio Judiciário, por estar nadando despido na praia de Copacabana, seu único ato de rebeldia. Em 1949, foi transferido para o Centro Psiquiátrico Nacional, em Engenho de Dentro, onde conheceu a Dra. Nise da Silveira. Depois de receber sessões de eletrochoque e comas insulínicos, que nada resolveram, foi levado ao ateliê de pintura. Fernando sai do enclausuramento e começa a pintar com avidez, incentivado pelo tratamento alternativo empregado experimentalmente pela Dra. Nise da Silveira, de substituir as terapias agressivas da época por trabalhos artísticos. Com a ajuda dela, Fernando foi incentivado a criar livremente, dando expressão aos seus estados mentais.

Já doente, após uma cirurgia nos rins, foi transferido para a Vila da Unidade Docente Assistencial de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em 1997, onde permaneceu produzindo até o seu falecimento em 1999.
Em suas obras mistura o figurativo e o abstrato, em complexas estruturas de composições. O resultado é uma sucessão de imagens, superpostas, dinâmicas e coloridas.
Em 1986, o cineasta Leon Hirzman produz o documentário "Imagens do Inconsciente" que mostra o processo criativo de produção de Fernando.
O encontro entre a psiquiatra Nise da Silveira e o cineasta Leon Hirszman está marcado pela não dissociação de política, sociedade e arte. O trabalho terapêutico e de reabilitação psicossocial desenvolvido por Nise da Silveira tem como característica o estabelecimento de importantes conexões com o campo das artes, possibilitando o diálogo com toda a sociedade. Esse trabalho de transformação cultural e de mentalidades fez com que fosse questionada a exclusão social dos chamados doentes mentais e transformada a política de assistência no campo da saúde mental no Brasil.




A exposição Fernando Diniz - Traços do Inconsciente, reúne trabalhos inéditos feitos por ele. A mostra conta com diversas composições em cor, com as formas geométricas já consagradas de Fernando. Ele era um dos artistas mais emblemáticos descoberto pelas mostras do Museu do Inconsciente. O reconhecimento de suas obras veio através de exposições no Brasil e no exterior, publicações, filmes e vídeos que permanecem até os dias de hoje.
África Brasil Identidades Positivas





Somos brasileiros, mais culturalmente trazemos conosco um modelo cultural africano que nos identifica com a África. Cotidianamente esta relação onde os diversos modelos culturais foram ganhando forma e contorno, deu origem a uma identidade cultural que une o Brasil e a África. 


Os povos afrodescendentes do Brasil enfrentam um desafio constante: "A reorganização da cultura e identidade negra aos moldes de um novo mundo dominado pela ideologia "branca" de uma cultura européia. Movido por uma miscigenação, que resultou na construção da identidade do povo brasileiro." (José Antônio S. Filho).


Podemos considerar a identidade brasileira, do ponto de vista cultural, positiva, mais no entanto, é necessário desconstruirmos as práticas racistas e discriminatórias que encontram espaço (prioritariamente) na ausência de referências sócio-históricas patrocinada ao longo dos anos por colonizadores e governantes.


É possível caminharmos na contramão desta história, reivindicando políticas de reparação, desenvolvendo ações afirmativas, exigindo e monitorando a implementação da Lei 10.639/2003 em todas as Escolas, além de fortalecermos a luta de militantes da Sociedade Civil que enfrentam corajosamente os governos reivindicando igualdade de direitos.


A identidade que pode transformar o Brasil é aquela que se forma a partir do reconhecimento e orgulho de suas raízes culturais, que valoriza seus ancestrais, identifica seus verdadeiros heróis e tem compromisso com a preservação de sua história. É isso que queremos: "África Brasil Identidades Positivas!"


A CANÇÃO DOS HOMENS


“Quando uma mulher, de certa tribo da África,

sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres
e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”.
Quando nasce a criança, a comunidade se junta
e lhe cantam a sua canção.
Logo, quando a criança começa sua educação,
o povo se junta e lhe cantam sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo,
a família e amigos aproximam-se e,
igual como em seu nascimento,
cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".


"Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime
ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado
e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.
Então lhe cantam a sua canção".
"A tribo reconhece que a correção para as condutas
anti-sociais não é o castigo;
é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
Quando reconhecemos nossa própria canção
já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém."


"Teus amigos conhecem a "tua canção"
e a cantam quando a esqueces.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio;
tua totalidade quando estás quebrado;
tua inocência quando te sentes culpado
e teu propósito quando estás confuso.“
(Tolba Phanem)

http://africabrasilidentidades.blogspot.com.br/2012/09/somos-brasileiros-mais-culturalmente.html

Dia da Consciência Negra é visto como reflexão contra o preconceito



A data 11/11/11 foi comentada em todos os noticiários do mundo. Muitos atribuíam às teorias de conspiração religiosa, a acontecimentos estranhos, mas a data também marca a assinatura da Lei 12.519, pela presidente Dilma Rousseff, que cria o feriado nacional do Dia da Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no dia 20 de novembro. A data é usada como momento de reflexão em relação à situação da comunidade negra. Para o coordenador da Central Única das Favelas (CUFA), em Araguari, Agnaldo Daniel da Silva, o Zulu, o momento é de reflexão voltada à sensibilidade.


“Queremos que as pessoas se sensibilizem com o preconceito. Quando presenciarem uma situação lute contra ela e não pule fora, como acontece. De nada adianta o branco fazer parte das tradições negras, se no dia a dia ele não se sensibiliza com as coisas que acontecem a sua volta. Levantar a bandeira contra o preconceito tem que acontecer todos os dias”, disse o coordenador.


Zulu acredita que todo o preconceito faz parte de um círculo vicioso, desde a família, educação e emprego e, para melhorar, basta uma porta se abrir. “Tudo está interligado. A educação no país hoje é uma situação que ninguém quer tomar conta. A família joga a responsabilidade da educação dos filhos para a escola, que repassa para o conselho tutelar e que joga para a família de novo. Se tivéssemos mais negros nas escolas, teríamos alunos nos bancos das faculdades e, consequentemente, mais no mercado de trabalho”, disse Zulu, que apoia o sistemas de cota para negros nas universidades, pois considera com uma porta que se abre.


“O ser humano faz o que vê e acaba sendo influenciado de forma positiva e acaba também conhecendo mais sobre a nossa religião, cultura e tradições. Os investimentos também nos ajudam a manter nossa tradição. Hoje, a festa do congado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e Catalão, no estado de Goiás, são enormes.Se não fossem esses investimentos, elas seriam restritas à comunidade negra”, acrescentou.O coordenador da CUFA também avalia que uma grande ajuda no combate ao preconceito são as ações na televisão, como novelas, documentários e também os investimentos das prefeituras na festa do congado.


Para comemorar a data em Araguari, durante toda essa semana foram realizados vários eventos com palestras, apresentações teatrais e filmes, desfiles, missa afro e, para encerrar, foi realizado na Casa da Cultura o Prêmio Destaque Negro, onde 14 pessoas foram homenageadas. “As homenagens foram referentes às personalidades que marcaram este ano em todas as áreas, desde segurança pública à dança, música e religião”, concluiu Zulu.


UberlândiaO último dia de comemoração da data em Uberlândia será realizada no próximo domingo (27), das 9h às 20h30, no Centro Cultural Estrela Guia, o Encontro da Diversidade – Mutirão da Cultura com palestras, apresentações artísticas, serviços a comunidade, cinema e shows com as bandas Serelepe e Skema Novo.






http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2011/11/dia-da-consciencia-negra-e-visto-como-reflexao-contra-o-preconceito.html


6 empreendimentos de sucesso com valores da Afro-humanitude

Segundo um bem sucedido empreendedor negro a “Síntese de um Empreendimento Afro-Brasileiro é: Auto-Estima, Conquista, Ética, Família e Sustentabilidade”. Acredito que alem desses elementos citados o negro empresário e a negra empresária tem sua vida pautada na Afro-humanitude. Vejamos 6 empreendimentos de sucesso com valores da Afro-humanitude:


A única escola de inglês no Brasil que ministra suas aulas a partir de um conteúdo da cultura diaspórica africana. Administrado por empreendedores afrodescendentes o curso oferece um método inovador de ensino, calcado em ferramentas modernas de apoio pedagógico e que contempla aspectos relevantes da cultura negra universal como conteúdo da grade de ensino.



 “Nossa escola tem o foco na cultura negra”, explica Rodrigo Faustino, diretor da Ebony English. Com foco no público das classes C e D, os cursos têm preços mais acessíveis que nas escolas tradicionais. Ebony English, foi fundado em agosto de 2008 por Durval Arantes, Rodrigo Faustino, Priscila Faustino, Elenice Carvalho e Camila Camargo. Site: www.ebonyenglish.com.br

http://negrosnegrascristaos.ning.com/profiles/blogs/6-empreendimentos-de-sucesso-com-valores-da-afro-humanitude

Ex-morador de favela conta como criou a maior empresa de regularizações no país



O mineiro Edivan Costa morava em uma favela de Belo Horizonte e queria ser jogador de futebol quando criança. Após chegar em São Paulo, jogou nas categorias de base do Palmeiras, mas as dificuldades o trouxeram de volta à sua cidade natal. Lá, passou a trabalhar como motoboy e a se destacar cada vez mais em seu trabalho com despachantes. Na burocracia, um problema conhecido dos brasileiros, ele viu uma oportunidade: tinha facilidade para lidar com papéis, ao mesmo tempo em que via muitos estabelecimentos fechados por falta de regularização.


Assim surgiu a ideia de empreender e criar a SEDI, empresa especializada em assessoria e consultoria no setor de licenças governamentais. Mesmo com todos os obstáculos que a vida colocou em seu caminho, hoje Edivan é o homem por trás da maior empresa do gênero no país e opera em oito estados brasileiros. Veja a história deste empresário de sucesso:


http://youtu.be/c9pFNforKS0






http://negrosnegrascristaos.ning.com/profiles/blogs/veja-a-historia-deste-empresario-negro-de-sucesso

Estudantes negros de Harvard lançam campanha contra o racismo



"Você é realmente articulada para uma garota negra" (em tradução livre), diz uma das placas da campanha contra o racismo organizada por estudantes de Harvard, EUA. Por meio de um projeto fotográfico publicado no Tumblr, os alunos se manifestam mostrando frases com comentários racistas já ouvidos por eles





Um grupo de estudantes de Harvard, a mais antiga instituição acadêmica dos Estados Unidos, iniciou uma campanha com o objetivo dar voz aos alunos negros que estudam na instituição. Por meio de um projeto fotográfico publicado no Tumblr, os universitários se manifestam segurando placas com recados ou comentários racistas já ouvidos por eles.


"Este projeto é a nossa maneira de responder, reivindicar este campus, de levantar e dizer: Nós estamos aqui. Esse Lugar é nosso. Nós TAMBÉM somos Harvard'", explica a apresentação da campanha.


A proposta também faz parte da divulgação de uma peça teatral do campus, que estreia nesta sexta (7), baseada nas experiências de membros da comunidade negra de Harvard.


Kimiko Matsuda-Lawrence, autora da montagem, afirmou ao "Washington Post" que a ideia surgiu de discussões entre os membros de Kuumba, uma organização negra histórica da instituição. Durante as conversas, os alunos muitas vezes falaram sobre se sentirem alheios ao campus ou de serem os únicos estudantes negros em algumas aulas.


Segundo o portal "USA Today", os estudantes negros compõem 11% da turma de calouros de Harvard. "Esta é uma conversa importante para todos os estudantes de Harvard , e para os estudantes universitários de todo o país. Todos os nossos alunos pertencem a Harvard, " afirmou o porta-voz da universidade Jeff Neal.






http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/03/07/estudantes-negros-de-harvard-lancam-campanha-contra-o-racismo.htm#fotoNav=14