domingo, 2 de novembro de 2014





Tereza de Benguela é um ícone de liderança feminina negra, que liderou bravamente homens e mulheres, negro(a)s e indígenas no Quilombo do Quariterê (Cuiabá - MG) a resistirem à escravidão por duas décadas sobrevivendo até 1770. Em busca de liberdade e pelo fim do açoite, ela manteve um sistema de defesa com armas e era uma líder implacável nas batalhas. Tereza herdou o quilombo de seu marido Piolho. Após a sua morte ela assumiu a estrutura política, econômica e administrativa. Eles desenvolviam agricultura de algodão e possuía teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora do Quilombo. Também usavam a forja para reaproveitamento dos ferros usados na tortura em objetos de trabalho.

Com as fugas de escravos cada vez mais frequentes, e confrontados com a falta de mão-de-obra, os proprietários das minas e o governador criaram uma missão para capturar os escravos. As comunidades foram destruídas, muitos negros foram mortos, feridos, torturados e aprisionados.

Teresa de Benguela foi presa numa dessas emboscadas e morreu por inanição alguns dias depois da captura. Recusara-se a comer devido às humilhações e desrespeito a que fora submetida.




Tereza de Benguela é a representação genuína de heroína negra que lutou e morreu pela liberdade de um povo escravizado e oprimido. Não se sabe ao certo se ela era brasileira ou africana. Mais sabemos com certeza que ela era especial e estabeleceu um marco histórico na história do Brasil. Trata-se de uma Candace (rainha guerreira) como Dandara e Maria Crioula, também Candaces Quilombolas. Mulheres que junto aos seus quilombos promoveram abolição da escravatura.




Merecidamente, a partir do dia 02/06/2014, com aprovação da Lei Federal 12.697, o dia 25 de julho foi instituído o Dia Nacional de Tereza de Benguela e das Mulheres Negras. Temos muito para refletir e resgatar sobre a realidade das nossas mulheres negras no Brasil e sobre o legado deixado pelas nossas Candaces Quilombolas. O primeiro passo já foi dado e agora todos os outros teremos que dar para que “andemos”. Que nesta data tão especial, sejam realizadas diversas ações que resgatem a história, memória e honra de nossas heroínas antepassadas e de nossas heroínas contemporâneas. Que sejam pensadas e exigidas Políticas Públicas que inclua com dignidade a mulher negra no mercado de trabalho, na educação e na saúde. Que seja um dia de visibilidade para as diferente demandas da mulher negra no Brasil e acima de tudo...que não seja só neste dia.

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