domingo, 2 de novembro de 2014

Contra o racismo e em defesa da ancestralidade africana no Brasil


Por Silvany Euclênio

No dia 21 de janeiro de 2000, morria a Iyálorisa Gildásia dos Santos e Santos, vítima fatal da violência que incide sobre a ancestralidade africana no Brasil. Sua foto foi utilizada pelo jornal “Folha Universal”, edição nº 39, para ilustrar matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”, cujo conteúdo agredia violentamente as tradições de matriz africana, malevolamente mistificadas com práticas charlatãs. Com o choque, ela, que era hipertensa, sofreu um ataque cardíaco e faleceu.
Em uma justa homenagem a mais esta vítima do racismo, o ex-presidente Lula instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com a aprovação da Lei nº 11.635/2007. Este ano, como vem acontecendo desde então, haverá por todo o país manifestações de repúdio às ações de desrespeito às práticas tradicionais africanas.
"Essas tradições passaram a ser vilipendiadas desde que aqui aportaram os primeiros africanos, como mão de obra compulsória para o hediondo sistema escravista"
No entanto, a palavra intolerância, embora amplamente utilizada a partir da Conferência de Durban (I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, ocorrida em 2001, em Durban, África do Sul) não dá conta da real dimensão da violência que incide cotidianamente sobre as tradições das matrizes africanas preservadas no Brasil e da qual o caso de Gildásia dos Santos e Santos se tornou referência.
Essas tradições passaram a ser vilipendiadas desde que aqui aportaram os primeiros africanos, como mão de obra compulsória para o hediondo sistema escravista. Portanto, tolerância não é exatamente o que resolverá este estado de denegação e reificação que recai sobre a população negra no Brasil e que se constitui como a faceta mais atroz do racismo, cuja sustentação está exatamente na valoração negativa da história, da cultura, do modo de ser e viver do grupo oprimido, negando a sua própria humanidade, posto que produzir cultura é um predicado essencialmente “humano”.
Resistência
Mas o povo negro resistiu e, a despeito de toda a ferocidade, criou os territórios tradicionais de matriz africana, espaços de afirmação da identidade e subjetividade histórica e cultural, na luta para sobreviver num ambiente de iniquidades e opressão racial.
Nesses locais foram preservados valores civilizatórios, idiomas, indumentárias, práticas alimentares e de relação com o sagrado, com o meio ambiente e com a sociedade do entorno, garantindo a preservação de um modo de viver marcado pelo acolhimento e pela solidariedade.
Racismo e Dominação
Sem a sua existência a população negra brasileira poderia ter sucumbido aos efeitos do racismo e de suas estratégias de dominação ao longo dos séculos, como o projeto de branqueamento encetado no país a partir da segunda metade do século 19. Assim como as muitas iniciativas de “modernização” e higienização étnica implementadas nos centros urbanos no início do século 20.
"É nesse patamar que são gerados os ataques violentos a símbolos, pessoas e casas, identificadas por extremistas como demoníacas, em referência a um ser maléfico inexistente nas tradições africanas"
Ou ainda, o mito da democracia racial e o processo de invisibilização da população negra; o avanço da especulação imobiliária sobre os territórios tradicionais; o vilipêndio cotidiano em diversos veículos de comunicação; dentre outras tentativas de aniquilação.
Esta insistência em continuar existindo, com relação à identidade e à subjetividade, resulta no aprofundamento da injúria, chegando ao ponto em que um toque de tambor, o uso de um Ileké (colar de conta) ou de um gele alarambara (torço colorido), a simples pronúncia de uma frase em yoruba, quimbundo, quicongo ou fon (idiomas africanos preservados no Brasil), remetem imediatamente ao imaginário racista brasileiro.
Ataques
É nesse patamar que são gerados os ataques violentos a símbolos, pessoas e casas, identificadas por extremistas como demoníacas, em referência a um ser maléfico inexistente nas tradições africanas. Como exemplos mais emblemáticos, lembramos o que ocorreu em Alagoas (fevereiro de 1912) e ficou conhecido como “Quebra de Xangô”. Na época, lideranças foram espancadas e mortas, casas foram depredadas e incendiadas, em uma ação liderada por políticos e veteranos de guerra e, incitada pela imprensa.
Um século depois, em julho de 2012, o assassinato de uma criança em Pernambuco foi perversamente relacionada às tradições de matriz africana, hipótese veiculada com insistência pela mídia impressa, falada, televisiva e virtual, provocando ataques a lideranças e territórios tradicionais, bem como a depredação de diversas casas.
A mesma estereotipia é remetida às características fenotípicas da população africana e sua descendência diaspórica, de maneira que, mesmo as pessoas negras que adotam outras práticas e modos de viver, despindo-se dos símbolos mais aparentes desta africanidade, continuam relegadas a uma subcidadania, a um lugar reservado para os considerados “não humanos” na hierarquia estabelecida pelo racismo brasileiro.
Dia Nacional
Portanto, no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, pensemos mais amplamente: Contra o racismo e em defesa da ancestralidade africana no Brasil, já que o enfrentamento ao racismo passa necessariamente pelo combate à violência contra a ancestralidade africana, e vice-versa.
É necessário promover o reconhecimento das tradições de matriz africana como uma das formadoras da riqueza cultural material e imaterial do Brasil, garantindo o direito constitucional das pessoas vivenciarem livremente a sua cultura. Afinal, como disse Mestre Tolomi, “a ancestralidade é a nossa via de identidade histórica. Sem ela não sabemos quem somos, e nem o que pretendemos ser”.
♦ Silvany Euclênio é secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)
Fonte: Rede Afrobrasileira Sociocultural

Conheça a mulher negra mais rica do mundo





Um dos principais estereótipos historicamente associados a mulher negra é a pobreza. Porém há mulheres negras, na África e diáspora, que fazem questão de desdenhar dessa imagem racista e construem patrimônios invejáveis. A principal delas chama atenção pela riqueza revelada recentemente ao resto do mundo. Folorunsho Alakija é nigeriana, tem 61 anos e um patrimônio de US$ 3,3 bilhões, sendo considerada hoje a mulher negra mais rica do mundo. Ela é 500 milhões dólares mais rica do que a apresentadora afro-americana Oprah Winfrey, que tinha essa posição até o último levantamento da conceituada revista FORBES. A riqueza de Oprah, a segunda colocada, foi estimada pela revista com a cifra de US$ 2,7 bilhões em setembro desse ano. Folorunsho Alakija é uma das duas mulheres que fazem parte da lista dos 40 africanos mais ricos.
Alakija nasceu em uma casa rica e polígama. Seu pai teve oito esposas e 52 crianças em sua vida. De acordo com Alakija, ela às vezes sentia que seu pai era mais rigorosa com ela do que para seus 51 irmãos. Independentemente disso, lembra ela, o investimento dos pais na educação e formação cultural, a ajudaram até hoje. A empresária começou sua carreira como executiva de banco, depois virou designer de moda e terminou construindo a carreira de magnata do petróleo.
A bilionária nigeriana é casada, tem quatro filhos, e é a fundadora e proprietária da Famfa Oil, uma empresa de petróleo que possui uma participação de 60% do OML 127, um campo de petróleo offshore que produz 200 mil barris de petróleo por dia. Uma lista incompleta de seu patrimônio inclui um apartamento em Hyde Park, em Londres, no valor de 64 milhões de dólares e um jato privado de 46 milhões dólares - um Bombardier Global Express 6000, que ela comprou no início deste ano.
Quando perguntada sobre como ela consegue combinar o casamento e sua riqueza, Alakija disse ao site African Economist: "O dinheiro não tem nada a ver com amor. O amor vem de dentro. O dinheiro é algo que você adquire ao longo do tempo".
Em maio de 1993 Alakija aplicou-se para uma licença de Prospecção de Petróleo (OPL). A licença para explorar petróleo em um bloco de 617 mil hectares - (agora conhecida como OPL 216) foi concedido à empresa Alakija, a Famfa Limited. O bloco está localizado a cerca de 220 milhas a sudeste de Lagos e 70 km da costa da Nigéria. Alakija foi inteligente! Ela não tinha nenhum conhecimento ou experiência na execução de um campo de petróleo, mas ela decidiu não vender sua licença. Em setembro de 1996, ela entrou em um acordo de joint venture com a Star Deep Water Petroleum Limited (uma subsidiária da Texaco) e nomeou a empresa como conselheira técnica para a exploração da licença, transferindo 40% de sua participação para a Star Deep. Até hoje, Folorunsho Alakija e sua família possuem 60% da reserva.




Tereza de Benguela é um ícone de liderança feminina negra, que liderou bravamente homens e mulheres, negro(a)s e indígenas no Quilombo do Quariterê (Cuiabá - MG) a resistirem à escravidão por duas décadas sobrevivendo até 1770. Em busca de liberdade e pelo fim do açoite, ela manteve um sistema de defesa com armas e era uma líder implacável nas batalhas. Tereza herdou o quilombo de seu marido Piolho. Após a sua morte ela assumiu a estrutura política, econômica e administrativa. Eles desenvolviam agricultura de algodão e possuía teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora do Quilombo. Também usavam a forja para reaproveitamento dos ferros usados na tortura em objetos de trabalho.

Com as fugas de escravos cada vez mais frequentes, e confrontados com a falta de mão-de-obra, os proprietários das minas e o governador criaram uma missão para capturar os escravos. As comunidades foram destruídas, muitos negros foram mortos, feridos, torturados e aprisionados.

Teresa de Benguela foi presa numa dessas emboscadas e morreu por inanição alguns dias depois da captura. Recusara-se a comer devido às humilhações e desrespeito a que fora submetida.




Tereza de Benguela é a representação genuína de heroína negra que lutou e morreu pela liberdade de um povo escravizado e oprimido. Não se sabe ao certo se ela era brasileira ou africana. Mais sabemos com certeza que ela era especial e estabeleceu um marco histórico na história do Brasil. Trata-se de uma Candace (rainha guerreira) como Dandara e Maria Crioula, também Candaces Quilombolas. Mulheres que junto aos seus quilombos promoveram abolição da escravatura.




Merecidamente, a partir do dia 02/06/2014, com aprovação da Lei Federal 12.697, o dia 25 de julho foi instituído o Dia Nacional de Tereza de Benguela e das Mulheres Negras. Temos muito para refletir e resgatar sobre a realidade das nossas mulheres negras no Brasil e sobre o legado deixado pelas nossas Candaces Quilombolas. O primeiro passo já foi dado e agora todos os outros teremos que dar para que “andemos”. Que nesta data tão especial, sejam realizadas diversas ações que resgatem a história, memória e honra de nossas heroínas antepassadas e de nossas heroínas contemporâneas. Que sejam pensadas e exigidas Políticas Públicas que inclua com dignidade a mulher negra no mercado de trabalho, na educação e na saúde. Que seja um dia de visibilidade para as diferente demandas da mulher negra no Brasil e acima de tudo...que não seja só neste dia.

Fernando Diniz um gênio da arte plástica, dopado pelo preconceito!


“O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.”

Nise da Silveira
Fernando Diniz nasceu na Bahia, em 1918. Veio morar com a mãe em casarões de cômodos para baixa renda, no Rio de Janeiro, aos quatro anos de idade. Negro e pobre, nunca conheceu o pai. Sempre acompanhava a mãe, costureira, em casas de família de classe média. Desenvolveu paixão romântica pela filha de uma das clientes que morava em Copacabana e se chamava Violeta. Desde garoto sonhava ser engenheiro. Estudou em Escola pública e teve boas notas, mais era sempre discriminado pelas crianças brancas. Quando mais velho, pintou um quadro onde crianças brancas e negras brincam juntas e sobre o quadro ele falou: “ Isso é bonito, mais só é real na imaginação”. 
Ouviu na Escola por diversas vezes que o preto não podia ocupar os primeiros lugares menos ainda ser engenheiro. Chegou ao primeiro ano científico, mas abandonou os estudos na adolescência. E passa andar descuidado de sua aparência e higiene pessoal.
Em 1944, foi preso e levado para o Manicômio Judiciário, por estar nadando despido na praia de Copacabana, seu único ato de rebeldia. Em 1949, foi transferido para o Centro Psiquiátrico Nacional, em Engenho de Dentro, onde conheceu a Dra. Nise da Silveira. Depois de receber sessões de eletrochoque e comas insulínicos, que nada resolveram, foi levado ao ateliê de pintura. Fernando sai do enclausuramento e começa a pintar com avidez, incentivado pelo tratamento alternativo empregado experimentalmente pela Dra. Nise da Silveira, de substituir as terapias agressivas da época por trabalhos artísticos. Com a ajuda dela, Fernando foi incentivado a criar livremente, dando expressão aos seus estados mentais.

Já doente, após uma cirurgia nos rins, foi transferido para a Vila da Unidade Docente Assistencial de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em 1997, onde permaneceu produzindo até o seu falecimento em 1999.
Em suas obras mistura o figurativo e o abstrato, em complexas estruturas de composições. O resultado é uma sucessão de imagens, superpostas, dinâmicas e coloridas.
Em 1986, o cineasta Leon Hirzman produz o documentário "Imagens do Inconsciente" que mostra o processo criativo de produção de Fernando.
O encontro entre a psiquiatra Nise da Silveira e o cineasta Leon Hirszman está marcado pela não dissociação de política, sociedade e arte. O trabalho terapêutico e de reabilitação psicossocial desenvolvido por Nise da Silveira tem como característica o estabelecimento de importantes conexões com o campo das artes, possibilitando o diálogo com toda a sociedade. Esse trabalho de transformação cultural e de mentalidades fez com que fosse questionada a exclusão social dos chamados doentes mentais e transformada a política de assistência no campo da saúde mental no Brasil.




A exposição Fernando Diniz - Traços do Inconsciente, reúne trabalhos inéditos feitos por ele. A mostra conta com diversas composições em cor, com as formas geométricas já consagradas de Fernando. Ele era um dos artistas mais emblemáticos descoberto pelas mostras do Museu do Inconsciente. O reconhecimento de suas obras veio através de exposições no Brasil e no exterior, publicações, filmes e vídeos que permanecem até os dias de hoje.
África Brasil Identidades Positivas





Somos brasileiros, mais culturalmente trazemos conosco um modelo cultural africano que nos identifica com a África. Cotidianamente esta relação onde os diversos modelos culturais foram ganhando forma e contorno, deu origem a uma identidade cultural que une o Brasil e a África. 


Os povos afrodescendentes do Brasil enfrentam um desafio constante: "A reorganização da cultura e identidade negra aos moldes de um novo mundo dominado pela ideologia "branca" de uma cultura européia. Movido por uma miscigenação, que resultou na construção da identidade do povo brasileiro." (José Antônio S. Filho).


Podemos considerar a identidade brasileira, do ponto de vista cultural, positiva, mais no entanto, é necessário desconstruirmos as práticas racistas e discriminatórias que encontram espaço (prioritariamente) na ausência de referências sócio-históricas patrocinada ao longo dos anos por colonizadores e governantes.


É possível caminharmos na contramão desta história, reivindicando políticas de reparação, desenvolvendo ações afirmativas, exigindo e monitorando a implementação da Lei 10.639/2003 em todas as Escolas, além de fortalecermos a luta de militantes da Sociedade Civil que enfrentam corajosamente os governos reivindicando igualdade de direitos.


A identidade que pode transformar o Brasil é aquela que se forma a partir do reconhecimento e orgulho de suas raízes culturais, que valoriza seus ancestrais, identifica seus verdadeiros heróis e tem compromisso com a preservação de sua história. É isso que queremos: "África Brasil Identidades Positivas!"


A CANÇÃO DOS HOMENS


“Quando uma mulher, de certa tribo da África,

sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres
e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”.
Quando nasce a criança, a comunidade se junta
e lhe cantam a sua canção.
Logo, quando a criança começa sua educação,
o povo se junta e lhe cantam sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.
Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo,
a família e amigos aproximam-se e,
igual como em seu nascimento,
cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".


"Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime
ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado
e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.
Então lhe cantam a sua canção".
"A tribo reconhece que a correção para as condutas
anti-sociais não é o castigo;
é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
Quando reconhecemos nossa própria canção
já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém."


"Teus amigos conhecem a "tua canção"
e a cantam quando a esqueces.
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.
Eles recordam tua beleza quando te sentes feio;
tua totalidade quando estás quebrado;
tua inocência quando te sentes culpado
e teu propósito quando estás confuso.“
(Tolba Phanem)

http://africabrasilidentidades.blogspot.com.br/2012/09/somos-brasileiros-mais-culturalmente.html

Dia da Consciência Negra é visto como reflexão contra o preconceito



A data 11/11/11 foi comentada em todos os noticiários do mundo. Muitos atribuíam às teorias de conspiração religiosa, a acontecimentos estranhos, mas a data também marca a assinatura da Lei 12.519, pela presidente Dilma Rousseff, que cria o feriado nacional do Dia da Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no dia 20 de novembro. A data é usada como momento de reflexão em relação à situação da comunidade negra. Para o coordenador da Central Única das Favelas (CUFA), em Araguari, Agnaldo Daniel da Silva, o Zulu, o momento é de reflexão voltada à sensibilidade.


“Queremos que as pessoas se sensibilizem com o preconceito. Quando presenciarem uma situação lute contra ela e não pule fora, como acontece. De nada adianta o branco fazer parte das tradições negras, se no dia a dia ele não se sensibiliza com as coisas que acontecem a sua volta. Levantar a bandeira contra o preconceito tem que acontecer todos os dias”, disse o coordenador.


Zulu acredita que todo o preconceito faz parte de um círculo vicioso, desde a família, educação e emprego e, para melhorar, basta uma porta se abrir. “Tudo está interligado. A educação no país hoje é uma situação que ninguém quer tomar conta. A família joga a responsabilidade da educação dos filhos para a escola, que repassa para o conselho tutelar e que joga para a família de novo. Se tivéssemos mais negros nas escolas, teríamos alunos nos bancos das faculdades e, consequentemente, mais no mercado de trabalho”, disse Zulu, que apoia o sistemas de cota para negros nas universidades, pois considera com uma porta que se abre.


“O ser humano faz o que vê e acaba sendo influenciado de forma positiva e acaba também conhecendo mais sobre a nossa religião, cultura e tradições. Os investimentos também nos ajudam a manter nossa tradição. Hoje, a festa do congado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e Catalão, no estado de Goiás, são enormes.Se não fossem esses investimentos, elas seriam restritas à comunidade negra”, acrescentou.O coordenador da CUFA também avalia que uma grande ajuda no combate ao preconceito são as ações na televisão, como novelas, documentários e também os investimentos das prefeituras na festa do congado.


Para comemorar a data em Araguari, durante toda essa semana foram realizados vários eventos com palestras, apresentações teatrais e filmes, desfiles, missa afro e, para encerrar, foi realizado na Casa da Cultura o Prêmio Destaque Negro, onde 14 pessoas foram homenageadas. “As homenagens foram referentes às personalidades que marcaram este ano em todas as áreas, desde segurança pública à dança, música e religião”, concluiu Zulu.


UberlândiaO último dia de comemoração da data em Uberlândia será realizada no próximo domingo (27), das 9h às 20h30, no Centro Cultural Estrela Guia, o Encontro da Diversidade – Mutirão da Cultura com palestras, apresentações artísticas, serviços a comunidade, cinema e shows com as bandas Serelepe e Skema Novo.






http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2011/11/dia-da-consciencia-negra-e-visto-como-reflexao-contra-o-preconceito.html